"De senhores, baronesas, botos, urubus, cabritos e ovelhas" é o resultado da parceria criativa entre o compositor e violonista gaúcho Cau Karam e o quarteto paulistano À Deriva. Fruto de um delicado equilíbrio entre afinidades e diferenças, o CD apresenta uma música original, expressiva e cheia de nuances, atenta à riqueza das matrizes que a cultura brasileira oferece e, ao mesmo tempo, aberta à infinidade de possibilidades criativas que surgem no diálogo entre essas tradições e formas contemporâneas de jazz e música erudita.

 

A característica central da música de Cau Karam é a presença marcante das matrizes musicais

brasileiras. A riqueza rítmica e a linguagem melódica dos gêneros tradicionais são recriadas de um ponto de vista pessoal, incorporando um enfoque harmônico e formal muito original e uma utilização cuidadosa de timbres na construção dos arranjos. À Deriva, por sua vez, foca sua produção na elaboração de situações musicais com alto potencial criativo, baseadas sobretudo na improvisação e na interação livre entre os músicos. Mesmo marcada pelo experimentalismo, sua música - que se manifesta de forma renovada a cada performance – é sempre sensorial e expressiva.

 

São características comuns aos dois trabalhos e pontos de partida na construção da parceria, a sonoridade baseada em instrumentos acústicos, o desejo de aprofundar o conhecimento a respeito das distintas culturas que estão ao nosso redor e o compromisso com o nosso tempo. Cau Karam e À Deriva propuseram-se um processo criativo orientado pela horizontalidade. A disposição ao risco e a consciência das diferenças, associadas à profunda amizade e admiração que os une, conduziu-os a um lugar novo. Alimentados por um impulso criativo renovado, cada indivíduo pôde transbordar suas potencialidades.

 

Juntos, dedicaram-se à construção de arranjos para composições que, quando nasceram, representavam fragmentos de um imaginário muito particular, e, mais adiante, ao serem reelaboradas coletivamente, ganharam nossas dimensões e significados. "De senhores, baronesas, botos, urubus, cabritos e ovelhas" resulta em uma totalidade significativa, um universo que emerge da justaposição de cada um desses fragmentos de experiência, construídos no encontro - sínteses possíveis em que da sobreposição das diferenças emergem particularidades compartilhadas.

 

À Deriva consolidou sua formação em 2004 quando, ao trio formado por Daniel Muller (piano acústico e elétrico, acordeon), Guilherme Marques (bateria) e Rui Barossi (baixo acústico), juntou-se Beto Sporleder (saxofones, flauta transversal). O quarteto lançou, até o presente, quatro CDs inteiramente autorais: À Deriva (2006), À Deriva II (2008), Suíte do Náufrago (2010) e Móbile (2013). O dinamismo e a consistência da proposta artística do quarteto, aliados à fecundidade de seu trabalho composicional, tem proporcionado ao grupo uma grande riqueza de experiências, vide o envolvimento recente com projetos diversos: além da parceria com Cau Karam, experimentou contribuições com a cantora Blubell, (CD "Eu sou do tempo em que a gente se telefonava"), participação em espetáculos teatrais (espetáculo "origem destino", da cia Auto-Retrato (2012), "(Ver[ ]Ter)" e "Guerra sem Batalha", cia Les Commediens Tropicales), passando por cinema (gravou a trilha sonora de "Cara ou Coroa", de Ugo Gorgetti) e projetos pedagógicos (oficina "Música criativa para jovens"). Essa riqueza de experiências contribui para a expansão do entrosamento entre os músicos, o refinamento e a ampliação de suas concepções estéticas e, ao mesmo tempo, para a renovação do seu repertório e de suas ferramentas criativas.

 

Cau Karam, foi contemplado, em 2000, no projeto Rumos Musicais – Tendências e vertentes da produção brasileira atual, do Instituto Itaú Cultural. Após essa premiação, passou a se dedicar mais intensamente à composição. Em 2006, teve seu talento reconhecido ao receber o Prêmio Açorianos nas categorias "Melhor Compositor" e "Melhor CD de Música Instrumental", com o seu primeiro disco "Sambas, Choros, Valsas e um Frevo", financiado através do Fumproarte – Fundo de Apoio à Arte da Prefeitura de Porto Alegre.

 

A parceria entre o violonista e o grupo teve início em 2007 quando os músicos do À Deriva foram convidados a acompanhar Cau Karam nos shows de lançamento de seu CD "Sambas, Choros, Valsas e um Frevo". Desse encontro nasceu uma relação de mútua amizade e admiração e, também, o desejo coletivo de estender a parceria para um novo disco em que os estilos de todos os artistas se articulasse, interpretando composições tanto de Cau quanto dos integrantes do À Deriva.

Making of Sobre senhores, baronesas, botos, urubus, cabritos e ovelhas

 

O Tímido e (é) o Narcisista

 

Bom Cabrito Não Berra, no Teatro São Pedro

Numa tarde dessas nos reunimos na casa do Daniel, em torno de uma mesa, tomando café e rum colombiano Medellín reserva 12 anos, e conversamos um pouco sobre a feitura desse nosso CD. E gravamos este podcast:

 

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